terça-feira, 22 de julho de 2008
É difícil partilhar o coração com duas pessoas, uma dá-me o que a outra não dá, apesar de não dar tudo o que exijo, não teve medo de dizer sim à distância. Sinto que para além de uma mera atracção física que sinto por ti, é a tua personalidade e intelectualidade que me cativam e te fazem a “mais amada”. Quero muito esta viagem, ou talvez não queira assim tanto. Saber que vou passar mais tempo contigo agrada-me, mas saber que materializando o nosso espaço podemos estragar tudo, dá-me dores de cabeça. Caso a viagem se concretize, sei que vou ter um pensamento quase constante dentro da minha cabeça, “Não posso! Não posso! Não posso mesmo”.
Imagino-nos com a chave do quarto na mão, entramos e deparamo-nos com duas camas de solteiro juntas e duas mesas de cabeceira em cada ponta. Respiramos tensão e partilhamos a mesma dúvida secretamente “Pomos uma mesa de cabeceira no meio?”. Passeamos todo o dia até as pernas doerem mais que a vontade de ver e conhecer a cidade a que nos propusemos. Fazemos uma passagem obrigatória num sítio óbvio aos dois, um sítio que começa em Mac e acaba em Drive. Visitamos os sítios nocturnos que tanto aprecias enquanto aumentas a minha cultura geral dos respectivos. Depois o regresso a casa, a entrada no quarto que parece custar, seguem-se as respectivas privacidades até que nos encontramos deitados na cama de barriga para cima, a olhar o tecto que parece não existir. O pensamento anterior volta a invadir-me, mas desta vez o coração. Tenho vontade de te passar a mão pelo cabelo como tanto gostas, vontade de te fazer suplicar por ar depois de um beijo arrojado. Só temo o regresso à realidade…
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