quinta-feira, 17 de julho de 2008
Não respondo porque é quando começarem a surgir as perguntas que a nossa relação deixará de ser inevitável.
Sinto-me assim. Pequenina. Como que uma miúda de 15 anos, em bicos de pés que tenta alcançar os teus lábios. Debilmente apaziguada nos teus braços, por não saber o que sentir. Por se perguntar o que é isto que ela nunca sentiu. Sinto-me constrangida de emoção, como já há muito não sentia. Como o primeiro beijo do primeiro namorado, no primeiro dia de Verão. É bom sentirmo-nos frágeis se tivermos alguém para nos amparar, se essa fragilidade for confortável. Fazes-me sentir assim porque me derrubas com a força do teu amor. É de tal forma avassalador, grande, descontrolado. E ainda exiges mais, como que se o fôlego que me retiras de cada vez que mo ofereces não te fosse suficiente, precisas de mais. És um egoísta. Mas um egoísta sincero. E ao menos um egoísta sensato, e corajoso. Porque não te importas de exigir nada menos do que aquilo que dás, porque não te importas de admitir que és egoísta quando o fazes.
E toda a atenção que não te dou está em todos os beijos que nunca me darás, nos sussurros perdidos de uma tarde com outra pessoa, nas potenciais carícias de um quente amanhecer a teu lado.
-E que espaço é esse? –, perguntas-me.
Eu fico sem resposta, porque deixar coisas em aberto faz parte da natureza da nossa relação. E porque, sinceramente, não saberia o que responder.

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